Mudanças na programação   Leave a comment

No CCBB do Rio de Janeiro, o filme Sublime Obsessão passa em DVD e não mais em 35mm, por causa de um problema de som com a copia em pelicula. Não confundir com a versão de 1935, de John M. Stahl, prevista inicialmente para passar ja em DVD.
E a aula do prof. João Luiz Vieira passou do dia 22 para o dia 29, sexta, as 14 horas.

Publicado 13/06/2012 por Cássio Starling em Vídeos

Mudanças na programação   Leave a comment

No CCBB de Brasilia, os filmes inicialmente previstos para serem projetados em 35mm serão mostrados em DVD, devido a um problema com o projetor em 35mm. Com a exceção de O Poder da Fé, que sera substituido em DVD por Sublime Obsessão.

Publicado 13/06/2012 por Cássio Starling em Vídeos

White Melodrama: An Appreciation of Douglas Sirk   Leave a comment

Publicado 26/05/2012 por Cássio Starling em Vídeos

Sirk e Fassbinder: o que é o melodrama?   Leave a comment

Como começar a pensar a noção de melodrama no cinema e como perspectivar a relação Sirk/Fassbinder por seu intermédio.

Artigo de Edmundo Cordeiro.

Publicado 26/05/2012 por Cássio Starling em Artigos

Sobre os filmes de Douglas Sirk   Leave a comment

RAINER WERNER FASSBINDER

Fevereiro de 1971

Imitação da vida (Douglas Sirk, 1959)

“Um filme é um campo de batalhas”, disse Samuel Fuller, pouco depois de escrever um roteiro para Douglas Sirk, num filme de Jean- Luc Godard, que, antes de rodar o filme Acossado, escrevera uma homenagem ao filme Amar e Morrer, de Douglas Sirk. Tanto Godard, como Fuller ou eu, ou outro qualquer, não podemos chegar aos pés de Sirk. Para ele, a cinema era, como dizia, sangue, lágrimas, violência, raiva, amor e morte. E Sirk fez filmes assim: com sangue, com lágrimas, com violência, ódio e amor. Sirk dizia que não se podia fazer filmes sobre alguma coisa, só se podia fazer filmes com alguma coisa. Com gente, com luz, com flores, com espelhos, com sangue, enfim, com qualquer coisa que interessasse. Ele também disse que a filosofia de um diretor está na luz e no enquadramento. E Douglas Sirk fez os filmes mais cuidadosos que já vi, filmes de alguém que ama os semelhantes e não os deprecia, como nós. Darryl F. Zanuck disse, uma vez, a Sirk: “O filme precisa agradar ao público, seja em Kansas City ou em Singapura”. E isto já é uma loucura. O que é a América?

Douglas Sirk teve uma avó que escrevia poemas e tinha cabelos negros. Douglas chamava-se, naquela época, Detlev e vivia na Dinamarca. E acontece que os países nórdicos, por volta de 1910, tinham uma produção cinematográfica própria, que produzia dramas de primeira qualidade. E assim lá ia o nosso Detlev com a sua vovó-poeta aos pequenos cinemas dinamarqueses para chorar lágrimas sem fim a cada vez que assistiam à trágica morte de Asta Nielsen e outras lindas moças de rosto maquiado de branco. Isto, naturalmente, era feito às escondidas, pois Detlev Sierck deve ter sido educado na velha tradição humanística alémã. Por isto, um dia, ele trocou o amor a Asta Nielsen pelo amor a Clitemnestra. Fez teatro na Alemanha e estudou em Bremen, Chemnitz, Hamburgo e Leipzig. Tornou-se amigo de Max Brod e de Kafka. Começou, assim, uma carreira que talvez o levasse a ser urn dia intendente do Teatro da Residência de Munique. Mas, nada disto. Em 1937, após ter rodado alguns filmes para a UFA, DetIev Sierck emigrou para os Estados Unidos, onde passou a chamar-se Douglas Sirk e fez filmes que, no máximo, fariam rir as pessoas de seu nível cultural na Alemanha.

As lágrimas amargas de Petra von Kant (Rainer Werner Fassbinder, 1972)

Publicado 26/05/2012 por Cássio Starling em Artigos

Imitação da Vida, ainda um Filme Atual   Leave a comment

INÁCIO ARAUJO

28 de agosto de 1983

 

 

Imitação da Vida desenvolve-se em torno de cinco personagens: Annie, a empregada de Lana Turner, é uma negra que tem uma filha mulata, Sarah Jane.

Esta  odeia  sentir-se  negra  e  descarrega  sobre  a mãe a infelicidade dessa condição. Lana, a patroa, é escandalosamente loura e procura fazer carreira como atriz. John Gavin é apaixonado por Lana, que é viúva e também tem uma filha, Sandra Dee, que por sua vez apaixona-se por John Gavin.

Este o quadro básico do último filme realizado por Douglas Sirk em Hollywood e um de seus melhores trabalhos. Uma trama na qual cinco percursos se entrelaçam de modo a formar um nó cego: personagens  conduzidos  pela  própria  cegueira,  e  perseguidos por algo que se chama destino, mas que também se traduz pela impotência em conduzir os acontecimentos. O melodrama é a tragédia transposta para o universo da classe média, disse uma vez Sirk, que começou sua carreira como diretor teatral.

Transposição delicada, a que o gênio do cineasta da Universal deu uma dignidade incomum. Porque em seus filmes existe o desejo de ser feliz e, ao lado, um universo social que a um só tempo nos solicita e nos impede a felicidade. Fassbinder, que fez de Sirk o seu mestre, nota que o mais espantoso é podermos entender a razão de cada um dos personagens, o fato de todos terem razão, mas de simplesmente nada podermos fazer em seu favor. Nada pode resolver o problema de Sarah Jane: ela tem que arcar com sua cor; mas nada pode resolver também o problema da deusa branca Lana Turner: a menos que se mude o mundo, diz Fassbinder. E se chora, até, malgrado a secura do estilo. Não por pieguice, mas porque é difícil,  demais,  transformar  o  mundo.Cinema  por muitos desprezado, em razão do preconceito contra o melodrama, Imitação da Vida é um desses trabalhos em que se revela toda a ternura do cineasta por seres que ele sobrecarrega de desesperança. É um filme essencialmente cinematográfico, que não deve nada de sua beleza à literatura e tudo à capacidade de organizar imagens, não só ao longo da narrativa, mas  no  interior  de  si  mesmas:  é  no  brilho  de  um olhar, no rigor do enquadramento, da luz, no justo (justíssimo) arranjo da cenografia que se mostra a ideia de uma humanidade desprotegida, debatendo-se em busca de uma realização impossível, em meio a forças que, nada transcendentais, a sacodem de um lado para outro. É como se ouvíssemos Borges dizer que a humanidade é o produto menor de um deus menor. Filme moderno – até demais para seu tempo  –,  Imitação  da  Vida  é  uma  obra-prima  de puro cinema e um momento chave da obra de Sirk, indispensável  para  os  que  desejam  compreender cinema  a  partir  de  seus  filmes:  fato  infelizmente mais raro do que se poderia desejar.

Publicado 26/05/2012 por Cássio Starling em Artigos

Destino Guia Ciclo sobre Douglas Sirk   Leave a comment

INÁCIO ARAUJO

10 de abril de 2000

Douglas Sirk poderia ser conhecido hoje como um grande  diretor  de  teatro.  Essa  foi  sua  primeira vocação. Poderia ser conhecido como um homem cultíssimo, conhecedor íntimo do teatro clássico, amigo de Max Brod e alguém que conheceu Kafka.O destino no entanto conspirou para que ele fosselevado  do  teatro  ao  cinema.  Da  Alemanha  para Hollywood. De Goethe aos melodramas.

É portanto na condição de mestre dos melodramasda  Universal  que  o  conhecemos  e  que  sua  obra pode ser conhecida em conjunto.

É o destino, justamente, que será o grande assunto desses filmes. Seus personagens estão invariavelmente às voltas com um destino inelutável e maior do que eles. Vejamos Imitação da Vida. Sarah Jane é  uma  garota  negra,  que  não  apenas  odeia  ser negra  (porque  é  discriminada),  como  odeia  sua mãe pelo mesmo motivo.

Sarah Jane voltará as costas a ela para viver como uma  branca.  Seguirá  atrás  de  uma  miragem  de vida.  É  o  mesmo  que  fará  Kyle  Hadley  (Robert Stack) em Palavras ao Vento, embora em sentido contrário: é filho de um magnata de petróleo, rico, casado com uma bela mulher. Mas não consegue vencer o sentimento de inferioridade que o corrói justamente porque tudo na vida o favorece.

De acordo, algumas dessas histórias estão entre as piores do mundo. Seu interesse está em permitir que Sirk tire ouro de pedra e as transfigure com um olhar às vezes cruel, às vezes irônico, mas sempre apaixonado pelo destino – por mais estrambótico que seja – de seus personagens.

Os personagens de Sirk são, aliás, sempre divididos. Tomemos  Tudo  o  que  o  Céu  Permite:  Cary  Scott (Jane Wyman) é uma viúva que acredita reencon-trar a felicidade nos braços de seu jardineiro (Rock Hudson).  Mas  ela  esbarrará  no  preconceito  das pessoas  de  sua  cidadezinha  e,  sobretudo,  no  de seus filhos. Ou ainda, em Almas Maculadas, Roger Shumann (Robert Stack), ás da aviação, herói da 2ª Guerra, corteja a morte em corridas de avião, em vez de cortejar sua linda mulher (Dorothy Malone) e seu filho.

No geral, os personagens sirkianos são incapazes de viver porque sua compreensão das coisas é incapaz de abarcar a vida, sempre maior do que eles.

Daí  um  tipo  de  olhar  muito  característico  deles,que se pode chamar de olhar do cego, pois o personagem olha fixamente para algum objeto, mas não fixa, na verdade, nada do mundo exterior. É um  olhar  interiorizado.  No  entanto,  seu  mundo interior também não lhe mostra nada.

Se esses seres divididos marcam profundamente a obra de Sirk, sua mise-en-scène também é carregada de elementos que chamam a atenção para aambiguidade das coisas: as janelas, por exemplo, são enfatizadas, porque dividem o mundo em dentro e fora; os espelhos são objetos privilegiados, porque subitamente fazem com que esses personagens se contemplem tal como são e vejam comhorror aquilo em que se transformaram.

Como disse R. W. Fassbinder – seu discípulo mais apaixonado –, a obra de Sirk é antes de tudo uma soberba ilustração da diferença entre literatura e cinema.

É na maneira como dirige os atores, seus gestos, suas  entonações  de  voz,  maneira  de  andar,  que um mundo se compõe à nossa frente para melhor se decompor em seguida.

No fim, esses seres precários, às vezes risíveis, revelam-se, como um espelho, imagens de nós mes mos. É nesse retorcimento último que somos arrastados para dentro do filme, como na cena sublime em que Jane Wyman, após ser obrigada a deixar o amante e  a  viver  na  plena  solidão,  recebe  dos  filhos,  de presente, uma TV para lhe fazer companhia.

Este é só um dos momentos exemplares da obra exemplar de Douglas Sirk.

Publicado 26/05/2012 por Cássio Starling em Artigos

Sublime obsessão, de Sirk, em DVD   1 comment

Um dos trabalhos mais importantes e mais difíceis na organização de uma retrospectiva é a pesquisa de cópias. Muitas vezes não é impossível encontrar cópias em bom estado ou até mesmo qualquer material no seu formato original disponível para projeção. O acerto de janela e formato de exibição também é um dos trabalhos fundamentais e durante um teste de projeção identificamos um problema na cópia de “Sublime Obsessão”. O som projetado era muito baixo, inconstante, a qualidade do filme estava comprometida. O motivo era a faixa de som que estava em um formato pouco usual e que nem sempre toca em projetores contemporâneos.

Até os anos 1950, a pista de som óptica era no formato densidade variável, uma descrição deste formato pode ser lida aqui: http://www.triggertone.com/term/Variable_Density. Depois substituída pelo som área variável, a grande maioria das cópias em circulação trazem pistas de som neste novo formato ou, no caso de cópias ainda mais recentes, trazem uma pista em área variável e o som dolby. A coloração das pistas de som área variável para filmes coloridos é ciano, cor compatível com os leitores de som dos projetores contemporâneos que usam um cabeçote de luz vermelha.

Cópias com som densidade variável podem não ser comuns, mas elas tocam em projetores contemporâneos. Este foi o caso da cópia  de “O poder da fé”, a pista em densidade variável e preto e branco tocou sem problemas. No caso de “Sublime Obsessão”, a faixa de som era em densidade variável, mas colorida num forte azul escuro. Os leitores dos projetores contemporâneos usam luz vermelha que não conseguem ler adequadamente a faixa azul. Para projetar a cópia adequadamente seria necessária trocar a luz do leitor para uma luz “branca”, alteração que não é tecnicamente possível. Por esta dificuldade técnica não conseguiremos projetar “Sublime Obsessão” em 35mm, ele será projetado em DVD. Tentaremos encontrar uma nova cópia para as próximas cidades. Caso interesse, mais informações sobre formatos de som aqui:

http://www.triggertone.com/term/Optical_Sound_Track

http://www.paulivester.com/films/filmstock/guide.htm

Publicado 20/05/2012 por Cássio Starling em Vídeos

Imitação da vida, hoje (26/5), ÚLTIMA CHANCE em SP, às 18h, no CCBB   Leave a comment

 

Publicado 18/05/2012 por Cássio Starling em Vídeos

Chamas que não se apagam, ÚLTIMA CHANCE em SP, domingo (27/5), às 18h, no CCBB   Leave a comment

Publicado 17/05/2012 por Cássio Starling em Vídeos